quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Filosofia e Minhocas

Certo dia, um professor de Filosofia soltou minhocas hiperativas na minha ingênua mente fértil: as minhocas da noção do tempo. Qual foi meu desespero ao constatar, em decorrência delas que, na verdade, nada existe.
Me chamem de louca, novamente, mas minha teoria é a de que nada existe. Tudo é mera ilusão. Matrix, possivelmente.
Pensem comigo: o passado se renova constantemente, visto que cada segundo que passa torna-se passado. Ou seja, não mais existe. O futuro, como muitos dizem, é uma incógnita. Ainda não veio, não aconteceu. Portanto, não existe. O presente, este ao qual nos agarramos desesperadamente, "viva o agora!", surpreendentemente, não existe. Mas o presente? Como assim?
Mais uma vez, pensem comigo: o presente passa constantemente, sem parar, o tempo todo. Os segundos vem e vão, não se detém por nada no mundo. Então, me resta a conclusão: nem mesmo o presente existe.
Deprimente conclusão, mas é o que é.

Então, se nada existe... Pra quê se preocupar?

6 comentários:

Thomas Fensterseifer disse...

tenho que adotar filosofias como esta, senão esta, pra minha efemera vida. hehe

Tosko disse...

o tempo é circular, não linear.
o tempo está parado, e é tu quem está passando por ele, nada alem disso.

[http://cid-8228ca2d0a500a7a.spaces.live.com/default.aspx]
[só pq tu pediu pra ler....]

Douglas Dickel disse...

O Tosko está certo, foi isso que o poeta/filósofo Rainer Maria Rilke escreveu: "Como os homens durante muito tempo se iludiram acerca do movimento do sol, assim se enganam ainda em relação ao movimento do que está para vir. O futuro está firme . . . nós é que nos movimentamos no espaço infinito."

Schopenhauer, em 'O mundo como vontade e representação', escreveu:

"O futuro e o passado não existem senão na abstração por meio da concatenação do conhecimento submisso ao princípio de razão. Ninguém viveu no passado e ninguém viverá no futuro; o presente, somente ele, é a forma exclusiva da vida, propriedade certa, que nada poderá jamais subtrair-lhe.

"O nosso próprio passado, ainda o mais próximo, o dia apenas transcorrido, não é mais que um sonho vácuo da Imaginação, e nada mais que isto é o passado de todos esses milhões de seres. Que é aquilo que foi? - Que é aquilo que é?

"O presente, só ele, é o que é sempre e que permanece imóvel.

"Pode-se comparar o tempo a uma circunferência que gira continuamente; a metade que sempre desce seria o passado, e a que sempre sobe, o futuro; ao alto, o ponto indivisível que encontra a tangente seria o presente que não tem dimensões; como a tangente não é arrastada pelo giro, assim permanece imóvel o presente . . . "

Ou seja, o presente existe, sim! A única coisa que inequivocavelmente existe. Como ele poderia não existir, Laura? Justamente, se tu fica prestando atenção ao fato de que o tempo PASSA o tempo todo, tu não vai estar VIVENDO. Assim como o Noe, diretor de 'Irreversível', quando escreveu o pessimista epílogo "O tempo destrói tudo".

Disse Morris Grave, que eu nem sei quem exatamente é: "O contrário da vida não é a morte; o contrário da vida é o tempo."

Fecho minha participação nesse prato de idéias em chamas colando a "solução", que vem do meu "filósofo" preferido, o Joseph Campbell: "A eternidade não é um tempo vindouro. Não é sequer um tempo de longa duração. Eternidade não tem nada a ver com o tempo. Eternidade é aquela dimensão do aqui e agora que todo pensar em termos temporais elimina. Se você não a atingir aqui, não vai atingi-la em parte alguma."

Sabe aqueles momentos em que o tempo não importa, em que tu esquece que o tempo existe? Aquilo é UMA eternidade. Naquele momento, o tempo não existe. Logo, o tempo não existe o tempo todo. Logo, menos minhocas na tua cabeça! A filosofia existe pro nosso benefício, é a origem da auto-ajuda, desde que Nietzsche disse "Médico: ajuda-te a ti próprio", e não uma fonte de parafusos. Mas eu te entendo, porque eu também passei por uma fase anelídea. Talvez seja necessário passar por ela. Porque tudo na vida tem três estágios: tese, antítese e síntese. Digamos que o que vem antes da filosofia na tua vida é a tese; agora apareceu a antítese, pra ti; depois, virá a síntese, que dependerá inclusive do uso na medida certa dos ingredientes razão e "não-razão".

Beijos e parabéns.

Leandro disse...

faz tempo que eu aprendi a não prestar atenção nas aulas de filosofia. na última vez eu entrei em crise e meu pai quase foi na escola dizendo que o professor ficava colocando caraminholas na cabeça dos alunos. :B'''

Douglas Dickel disse...

Depois, formam-se adultos sem nenhuma "caraminhola".

Children Of Virgin disse...

Nós aprendemos a contar o tempo em horas, dias, semana, meses, anos. Contamos circularmente, com excessão do ano, que sempre avança, nós na verdade imprimimos o ciclo vital de todos nós em tempo, Einstein já diz que passado, presente e futuro são meras ilusões. São criacionismos, pois nós criamos o tempo para termos uma medida do que fazemos(exemplo:alguns minutos de nossas casas até a padaria mais próxima), tempo existe em teoria, mas não se aplica a prática Universal, serve para medida. Então acabamos por não viver nem no passado, nem no presente e nem no futuro. Vivemos o ciclo vital do Universo, vivemos todas estas medidas de tempo juntas. O que é passado, já foi presente e futuro.
E daí surgirá a teoria de se mover para trás e para frente no tempo espaço. Vivemos inúmeras vezes no passado no presente e no futuro, ou seja, o que estamos fazendo agora já aconteceu milhares de vezes. Depois disso surgirão um leque de outras teorias.